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Sôbre Gottschalk - JOÃO ANTÔNIO ARDITO
SOBRE GOTTSCHALK

Ir. João Antônio Ardito

ARLS. Manoel Nóbrega Fernandes, 178  – GLESP Or. de São Paulo

Louis Moreau Gottschalk (biografia em inglês) nasceu em oito de maio de 1829 em Nova Orleãs, Estados Unidos. Gênio ardente, inclinado a romances tempestuosos, Gottschalk acabou abandonando a Califórnia precipitadamente, em 1865, por causa de uma mulher. Até seus preciosos pianos deixou para trás e embarcou numa longa viajem sem volta pela América do Sul.

 

Desembarcou no Rio de Janeiro em dez de maio de 1869, dois dias depois de ter completado 40 anos. Seu primeiro concerto foi a três de junho, no Teatro Lírico Fluminense. Numa carta a um amigo de Boston Gottschalk conta:

 

- “Minhas apresentações aqui são um verdadeiro”furore”. As entradas estão esgotadas com oito dias de antecedência. O imperador, a família imperial e a corte ainda não perderam um só de meus concertos. Sua Majestade me tem recebido diversas vezes em palácio. O Grande Oriente da Maçonaria me ofereceu uma recepção solene. O entusiasmo com que tenho sido recebido aqui é indescritível. No último concerto fui coroado, em cena, pelos artistas do Rio.”

                       

O imperador D. Pedro II deu a Gottschalk jurisdição total sobre as bandas do Exército, da marinha e da Guarda Nacional. Desse projeto resultou o famoso concerto de 24 de novembro de 1869, no qual regeu cerca de 650 músicos das referidas bandas e eruditos. Entre várias obras de sua preferência executou: Fausto Carnaval de Veneza e a Grande Tarantela, composta em 1868, em Montevidéu.

 

Contudo, o gran finale do concerto de 24 de novembro foi a Marcha Solemne Brasileira (incluída nessa gravação), feita especialmente para a ocasião e dedicada a D. Pedro II. Composta para orquestra e banda marcial, incluía o efeito espetacular de salvas de canhão. Gottschalk antecipava-se, assim, em treze anos a célebre abertura 1812, de Tchaikovsky. O sucesso foi, em todos os sentidos, estrondoso. A Marcha Solemne teve de ser bisada.

 

Gottschalk era apaixonado pelo Hino Nacional Brasileiro. Cita-o nos dois minutos finais da Marcha Solemne. Serve de tema para uma das maiores expressões de brasilidade, a Grande fantasia Triunfal (que abre essa gravação). Foi através dessa composição que o espírito de Gottschalk permanece vivo entre os brasileiros.

 

Com sempre acontece em nossa terra, a Grande Fantasia Triunfal permaneceu esquecida por muito tempo – questionava-se se seria meramente um arranjo uma variação. Finalmente, em sete de setembro de 1981, junto ao Museu do Ipiranga, ela foi executada em apoteose, para aproximadamente oitocentos mil pessoas (concerto que tive a felicidade de assistir), no melhor estilo de Gottschalk, que era dado a concertos gigantescos.

 

Esse concerto foi elaborado pelo famoso Projeto Aquárius, reunindo as orquestras sinfônicas Brasileira e do Teatro Municipal de São Paulo, sob a regência do maestro Isaac Karabtchevsky.

 

Gottschalk morreu em dezoito de dezembro de 1869, no Rio de Janeiro, vítima de infecção abdominal. Lá foi enterrado e diz-se que seu enterro foi um dos maiores que aquela cidade já viu.

São Paulo, 27 de julho de 2003