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Sangréal - Linhagem do Santo Graal

Maria Madalena: Verdade ou Falácia?

Ir. Kleber Siqueira

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A busca pelo conhecimento foi seu 'pecado'


Jean-Yves Leloup garante que ela era fora-da-lei e não uma prostituta

Ubiratan Brasil

Jornal "O Estado de São Paulo"J - Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2004

Filósofo e padre ortodoxo, Jean-Yves Leloup é autor de diversas obras de espiritualidade, como O Romance de Maria Madalena, lançado pela Verus Editora e cujo subtítulo é uma mulher incomparável. Sobre a pesquisa, Leloup conversou com o Estado:

Quais são as fontes mais seguras sobre Maria Madalena?

As mais confiáveis estão nos evangelhos, particularmente no Evangelho de Lucas e no de João. Alguns exegetas distinguem três Marias: Myriam de Magdala, a pecadora, a possuída, a testemunha da Ressurreição; Maria de Betânia, a irmã de Lázaro, e aquela que escuta as palavras do Cristo, enquanto Marta se ocupa do serviço, e aquela que intercede pela ressurreição de seu irmão Lázaro; e finalmente, há a Maria que vai ungir os pés de Jesus. Na tradição, essas três Marias, que distinguem alguns exegetas, que são minoritários atualmente, são uma única pessoa. Os evangelhos são textos teológicos que mostram as diferentes etapas dessa mulher no seu caminho em direção a Deus, na sua maneira de desposar, por assim dizer, o Logos. E é por isso que em seguida ele se tornará o arquétipo da psique, da alma, do psiquismo humano na sua busca pelo espírito, na sua maneira de desposar o Logos, a ponto de testemunhá-lo e de transmitir seus ensinamentos.

A Igreja retrata Maria Madalena como uma prostituta regenerada enquanto feministas a definem como uma divindade feminina. Qual a sua opinião?

Quando lemos os evangelhos não encontramos nenhum vestígio de Maria Madalena como uma prostituta. Fala-se dela como uma pecadora, lembrando-nos que, quando se dizia que alguém é pecador, estavam se referindo àquele que não seguia a lei. Maria Madalena era considerada como fora-da-lei por várias razões. Inicialmente, mesmo sendo mulher, ela se interessava pelos estudos, pelo conhecimento da Torá, o que fez com que se distanciasse do que era tido como conveniente para uma mulher. Mas em nenhuma passagem da Bíblia ela é vista como prostituta. A única referência seria exatamente nos mitos gnósticos muito posteriores que apresentam Maria Madalena como o exemplo do mundo da alma que deixou o espírito, que o traiu e que de uma certa maneira se prostituiu se voltando para a matéria. Mas esse é um mito completamente gnóstico e é curioso que a Igreja tenha podido se apropriar desse mito. Mas eu acredito que o problema da Igreja seja sobretudo com a sexualidade. Quando se diz que ela é uma pecadora, já se situa a coisa ligeiramente abaixo da cintura. Em nenhum lugar do Evangelho vemos Jesus repreendê-la sobre algo desse gênero. A única frase sobre a qual poderíamos nos apoiar é quando Ele diz que uma vez que ela mostrou muito amor, seus numerosos pecados estavam perdoados. Mas, nesse caso, esse amor não tem nada a ver com o amor carnal, uma vez que ela mostrou muito amor por Deus, pela Torá, pelo Logos, pelo conhecimento. Eu diria que o fato de ela ser considerada pelos fariseus como fora-da-lei não tem muita importância uma vez que a lei é justamente obedecer a essa lei do amor, a essa lei do coração. Com relação ao feminismo, não vemos em nenhum lugar Maria em conflitos com os homens a não ser no Evangelho de Maria com Pedro. Mas o que, ao contrário, aparece é seu amor pelo homem e seu amor pelo Cristo. Não se trata de uma feminista, é uma mulher. Uma mulher que ama Deus e que ama o homem e que ama o homem-Deus, se pudermos dizer assim. Deus não lhe é suficiente, ela ama o homem, e o homem não lhe é suficiente, ela ama Deus. Em Jesus, Deus e o homem, eu diria, estão reunidos e é o que busca o seu desejo .

 
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